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Projeto Cauã V0.5

Colaboração: John Maddog Hall

Data de Publicação: 23 de setembro de 2011

O que você faria se tivesse uma ideia capaz decriar quatro milhões de novos empregos detecnologia, reduzir a quantidade de energia utilizada pelos computadores, fazer os sistemasmais fáceis de serem usados, reduzir a quantidadede lixo despejada no ambiente, oferecer redes semfio gratuitamente para as pessoas e criar um enormesupercomputador para universidades e negócios, degraça ou quase de graça, para projetos que precisamde uma grande quantidade de processamento de CPU, fazendo tudo isso com dinheiro do setor privado deuma forma que seja autossustentável?

Em tempos de grande desemprego e tensões governamentais, você manteria essa ideia para si mesmono desejo de ganhar dinheiro, ou a divulgaria publicamente de qualquer maneira?

Venho trabalhando no Projeto Cauã por mais de cinco anos. Ele começou com a reminiscência dos "bons e velhos tempos", quando a equipe local de suporte estava sempre ao alcance e tudo o que você tinha que fazer era usar o software com o qual trabalhava todos os dias. Você não tinha que se preocupar com backups, instalações ou lutas contra vírus, porque outra pessoa era paga para fazer isso. Conheço muitas pessoas que pararam de usar software livre e foram para Windows ou Apple dizendo que queriam algo que "funcionasse", ou que "não tinham tempo para brincar com o software livre na tentativa de fazê-lo funcionar". Ficariam elas longe do software livre se tivessem acesso a alguém que pudesse instalar o sistema, mantê-lo atualizado e garantisse a existência de espaço em disco, poder de processamento e o sistemas livre de vírus para mantê-lo funcionando? E se essa pessoa estivesse fisicamente tão próxima, que você poderia alcançá-la com alguns minutos de caminhada de forma que você pudesse sentar com ela, contar seus problemas e obter a resposta?

E se esse técnico em questão fosse autônomo e vendesse não somente os serviços de consultoria para você, mas também o poder de computação, a infraestrutura de rede e o software necessário para tocar a residência ou a empresa da melhor maneira possível, por menos dinheiro do que você paga hoje? E se você nunca tivesse que se preocupar com a obsolescência do seu sistema?

Após trabalhar nesse problema por três anos sozinho, um amigo e empresário brasileiro, Douglas Conrad, da OpenS Tecnologia, me escreveu e disse que meu plano poderia funcionar, e que deveríamos refiná-lo, documentá-lo e tentar um financiamento do governo para o projeto. Por dois anos cansamos de buscar esse financiamento, e todas as vezes ouvimos que "era interessante, mas...".

Durante esse tempo, refinamos o hardware, esperando por elementos que estavam "quase chegando" como o USB 3.0 e CPUs de baixíssimo consumo e alto poder gráfico. Douglas também usou alguns dos sistemas protótipos para construir seu próprio sistema de entretenimento doméstico, o qual surpreendia seus amigos quando eles o visitavam.

Dessa vez, listamos outros parceiros. Formamos uma comissão de diretores formada por empresários com diferentes experiências em treinamento, hospedagem web e consultoria - todos especialistas em software livre. Fizemos um acordo com a Universidade de São Paulo, com a intenção de que eles projetassem um thin-client unicamente utilizando componentes abertos para então licenciá-lo para empresas que queiram fabricá-lo dentro do Brasil. Começamos também a buscar parceiros do mundo hispânico para replicar o programas piloto no Brasil para países de fala espanhola.

A mudança de governo, de Lula para Dilma Rousseff, fez com que nossos planos ficassem mais lentos. Embora a gente não precise de dinheiro do governo para tocar o projeto e sustentá-lo, precisamos que o governo de cada país entenda e aprove o que estamos fazendo. Felizmente, a presidente Dilma manteve e fortaleceu diversos dos programas progressistas que o ex-presidente Lula iniciou e, agora, temos contatos em seu governo e uma indústria que está trabalhando conosco.

Agora estamos conseguindo avançar e, embora o Projeto Cauã não seja entregue de acordo com sua visão original, lançaremos o Projeto Cauã V0.5, que fará uma prova de conceito sobre o que definimos originalmente. Vamos ajudar administradores de sistemas certificados em LPI a iniciarem seus próprios negócios para vender e oferecer suporte à sistemas baseados no Projeto Cauã.

Convidamos a comunidade de software livre a se juntar a nós e ajudar a responder a pergunta que me fiz há muito tempo: "como fazer dinheiro com software livre"?.

Fonte: Coluna do Maddog, Linux Magazine Brasil Edição 82, Setembro 2011, Página 28


Linux - 2011 - 20º aniversário

Por Fátima Conti

Para comemorar o 20º aniversário do Linux :)

Memorable Linux Milestones

Um vídeo da "Linux Foundation" conta a história da plataforma Linux.

O mesmo vídeo, legendado em pt-BR: 2011: Aniversário de 20 anos



 

 

Veja a relação completa dos artigos de John Maddog Hall

Opinião dos Leitores

marcelo
19 Mar 2014, 16:31
Realmente o site do projeto Caua é muito ruim, pelo site vc não tem de ideia de como as coisas vão funcionar na pratica.
Tarcísio Nunes
23 Set 2011, 12:22
É gente, eu estava lendo todo o e-mail e pensei, chiiii, fico quieto ou comento, mas quando vi as opiniões dos colegas Bruno e Michel, percebi que não foi só eu com má impressão do projeto. Na verdade é maravilhoso, muito legal, mas...

A frase mais contraditória: "fazendo tudo isso com dinheiro do setor privado de uma forma que seja autossustentável", tá bom, mas o setor privado vai tirar dinheiro de onde? Talvez vendendo seus produtos com lucro, para uma parte desse lucro virar doação.

E no fim, como fazer dinheiro com Software Livre? A resposta é simples, fazendo coisas boas e que as pessoas tenham que pagar por elas.

A Apple não inventou nada com seu Apple Store, mas tornou diversão acessível a um preço baixo e valorizando bons autores, e assim vieram as outras Stores, Chrome, Nokia, fazendo competições com os desenvolvedores e atraindo muita gente.

Parece que este modelo está dando certo e muita coisa é livre, como o Mad Dog quer, porém não foi ele quem criou. Aí fica a pergunta, será que ele quer participar de um modelo realmente livre crido por outros ou ele quer ser pai de um modelo livre revolucionário que ele ainda não sabe como fazer?

Bons e velhos tempos em que os rippies andavam pelas ruas! Mas melhorou muito quando eles resolveram trabalhar e produzir alguma coisa.

Michel Silva
23 Set 2011, 08:54
o Bruno falou bem, olhando o site já perceber-se que não vai atrair ninguém.
o testo acima fala do "bons e velhos tempos", para quem? sou usuário deste 1984 e não sinto a menor saudade da época, este "velhos tempo" é bem sossegado, mas também o que se construía em um mês e um custo altíssimo, hoje produzo em uma manha a um custo diluído irrisório, o que me garante uma renda 100x maior que nos anos 80´s, saudades de que?
Bruno
23 Set 2011, 08:06
Olha, me desculpe o Maddog, mas se eu tenho que ler este texto todo e mesmo assim não sei ao certo o que é o tal Cauã, isso tem grandes chances de não dar certo.
Fui no site do projeto e é a mesma coisa, ta muito prolixo. Tem que ter uma forma mais simples de expor a função do projeto, caso contrario fica parecendo promessa de politico: "Vamos reduzir o consumo do computador..." mas não diz como. Pra mim não serve!
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