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Pirateiem meus livros

Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida

Data de Publicação: 26 de janeiro de 2012

Recentemente, com o fechamento do Megauload, com os projetos no senado (PIPA) e na câmara americanos (SOPA), a questão dos direitos autorais se reacendeu pelo mundo afora. Existem várias propostas de se mudar o sistema que está aí e também vários depoimentos de como a estrutura vigente é prejudicial para os criadores de conteúdo e para a sociedade em geral. Este assunto já foi abordado nesta lista anteriormente, em um depoimento da cantora Courtney Love. Em minhas palestras eu cito sempre o exemplo da editora Baen, que colocou as suas obras para download e acabou ganhando mais dinheiro no processo.

Vale a pena ler o artigo do Paulo Coelho, chamado Pirateiem meus livros, publicado no blog do autor e reproduzido a seguir.

Já que esta lista é de informática, aproveito para informar que o meu primeiro livro, Linux: Dicas e Truques, publicado pela Conectiva, está disponível gratuitamente para download.


Pirateiem meus livros

Fonte: Blog do escritor Paulo Coelho

Em meados do século 20, começaram a circular na antiga União Soviética vários livros mimeografados questionando o sistema político. Seus autores jamais ganharam um centavo de direitos autorais.

Pelo contrário: foram perseguidos, desmoralizados na imprensa oficial, exilados para os famosos gulags na Sibéria. Mesmo assim, continuaram escrevendo.

Por quê? Porque precisavam dividir o que sentiam. Dos Evangelhos aos manifestos políticos, a literatura permitiu que ideias pudessem viajar e, eventualmente, transformar o mundo.

Nada contra ganhar dinheiro com livros: eu vivo disso. Mas o que ocorre no presente? A indústria se mobiliza para aprovar leis contra a "pirataria intelectual". Dependendo do país, o "pirata" -ou seja, aquele que está propagando arte na rede- poderá terminar na cadeia.

E eu com isso? Como autor, deveria estar defendendo a "propriedade intelectual". Mas não estou. Piratas do mundo, uni-vos e pirateiem tudo que escrevi!

A época jurássica, em que uma ideia tinha dono, desapareceu para sempre. Primeiro, porque tudo que o mundo faz é reciclar os mesmos quatro temas: uma história de amor a dois, um triângulo amoroso, a luta pelo poder e a narração de uma viagem. Segundo, porque quem escreve deseja ser lido -em um jornal, em um blog, em um panfleto, em um muro.

Quanto mais escutamos uma canção no rádio, mais temos vontade de comprar o CD. Isso funciona também para a literatura: quanto mais gente "piratear" um livro, melhor. Se gostou do começo, irá comprá-lo no dia seguinte -já que não há nada mais cansativo que ler longos textos em tela de computador.

1 - Algumas pessoas dirão: você é rico o bastante para permitir que seus textos sejam divulgados livremente.

É verdade: sou rico. Mas foi a vontade de ganhar dinheiro que me levou a escrever?

Não. Minha família, meus professores, todos diziam que a profissão de escritor não tinha futuro. Comecei a escrever -e continuo escrevendo- porque me dá prazer e porque justifica minha existência. Se dinheiro fosse o motivo, já podia ter parado de escrever e de aturar as invariáveis críticas negativas.

2 - A indústria dirá: artistas não podem sobreviver se não forem pagos.

A vantagem da internet é a divulgação gratuita do seu trabalho.

Em 1999, quando fui publicado pela primeira vez na Rússia (tiragem de 3.000 exemplares), o país logo enfrentou uma crise de fornecimento de papel. Por acaso, descobri uma edição "pirata" de "O Alquimista" e postei na minha página. Um ano depois, a crise já solucionada, eu vendia 10 mil cópias.

Chegamos a 2002 com 1 milhão de cópias; hoje, tenho mais de 12 milhões de livros naquele país.

Quando cruzei a Rússia de trem, encontrei várias pessoas que diziam ter tido o primeiro contato com meu trabalho por meio daquela cópia "pirata" na minha página.

Hoje, mantenho o "Pirate Coelho", colocando endereços (URLs) de livros meus que estão em sites de compartilhamento de arquivos. E minhas vendagens só fazem crescer -cerca de 140 milhões de exemplares no mundo.

Quando você come uma laranja, precisa voltar para comprar outra. Nesse caso, faz sentido cobrar no momento da venda do produto.

No caso da arte, você não está comprando papel, tinta, pincel, tela ou notas musicais, mas, sim, a ideia que nasce da combinação desses produtos.

A "pirataria" é o seu primeiro contato com o trabalho do artista.

Se a ideia for boa, você gostará de tê-la em sua casa; uma ideia consistente não precisa de proteção.

O resto é ganância ou ignorância.

PAULO COELHO , escritor e compositor, é membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de, entre outros livros, "O Alquimista" e "A Bruxa de Portobello".


 

 

Veja a relação completa dos artigos de Rubens Queiroz de Almeida

Opinião dos Leitores

Guilherme Augusto
16 Mar 2012, 20:33
Ricardo Avelar Tonelli, faço das suas palavras, minhas palavras.
Ricardo Avelar Tonelli
31 Jan 2012, 12:00
A obra de Paulo Coelho nunca foi minha praia - apenas uma questão de gosto; não me identifiquei. Contudo, o artigo acima ("Pirateiem meus livros") é fantasticamente lúcido! Excelente! Parabéns, Paulo Coelho, pela tua postura!

Senti-me estimulado a dar uma escarafunchada (pirata) na sua obra. Quem sabe me desperte o interesse...
Jorge Santos Eletério
27 Jan 2012, 16:29
Parabens ao Paulo Coelho e ao Rubens Almeida pelas sensatas colocações a respeito da pirataria na internet.
Concordo, também, com vocês e acho, neste momento, que num mundo globalizado não temos mais espaço para reinvindicar proteções, tais como, Direito de Propriedade.
Combater a pirataria na internet é coisa do passado e é um ranso que temos de internalizar como todas as modernidades que nos carcaram e nos cercam.
A pirataria na internet é a manifestação, gratuita e popular, para que os artistas e congeneres, que não possuem recursos financeiros suficientes, para se mostrar ao público alvo. É a propagação e promoção da criatividade dos indivíduos, bem dotados de idéias e habilidades, na época que estamos vivendo.
Jorge
Junior
26 Jan 2012, 19:30
Livros do Paulo Coelho eu não passo nem perto. Um pseudo-escritor, produto de marketing. Quantidade não significa QUALIDADE. Vendeu milhões e significou realmente algo?
Valdeci Almeida
26 Jan 2012, 11:23
Eu baixei o livro que fi informado.
Agora, alguém pode me informa se esse livro realmente é de 2004.
Ricardo
26 Jan 2012, 10:30
Enquanto o dinheiro que movimentar o mundo, sempre irão existir empresas e grupos que querem arrancar lucro de tudo e de todos.
Fernando
26 Jan 2012, 10:16
Eu penso que arte e cultura deva ser mesmo propagada. Assim, livros, filmes, músicas, gravuras, fotografias; deveriam ser popagadas livremente. Claro que por exemplo o uso comercial de uma fotografia, esse sim deve ser considerado pirataria.
Eu posso baixar um livro de Paulo Coelhoe e ler em um PDF, ou imprimir. Mas me sai "mais barato" comprar o livro e ler confortavelmente. Ler um livro em PDF num computador ou tablet, para mim, é como chupar bala com papel. è um quebra-galho na minha opinião.

Os filmes faturam bastante nos cinemas e na venda de DVDs e BDs. Eu assito alguns MKVs e AVIs, mas não deixo de ir ao cinema ou alugar ou mesmo comprar um BD de vez em quando. Mas se o custo de venda de um BD fosse algo justo, eu não baixaria AVIs ou MKVs.
É certo que muitos não podem ir ao cinema nunca. Pr que privar essas pessoas da produçaõ artistica via um AVI? É um absurdo. Estamos falando de arte e cultura, a qual todos ddeveriam tem direito e acesso.
No caso de software, já acho mais diferente. Temos por exemplo a opção de uso de softeware livre para praticamente todas as aplicações. Mas a maioria das pessoas, quando vão usar um CAD por exemplo, não se satisfazem com um bom CAD de licença free, ou uma versão antiga que esteja liberada. O sujeito quer o softeware comercial mais avançado e a última versão, memso que não vá usar 10% dos recursos, e sem pagar um centavo por isso.
O custo do software de uso mais popular como editores de texto, etc; é caro, mas não tão absurdo e atualmente pode ser facilmente substituito por softwre livre.
O software científico jamais deveria ser cobrado de instituições públicas de ensino, mas devem sim ser cobrados no uso comercial e não ser permitida a livre propagação. É difrente de arte e cultura, tem objetivos claramente distintos, a produção obtida com um software não se limita a cultura ou aprendizado. Assim o licenciamenbto deve ser mesmo controlad. Deve sim ser gratuito para o uso em instituições de enino públicas, mas sob um licenciamento oficial.
Renato Gasparoto Filhinho
26 Jan 2012, 07:51
O link para download do livro está errado, o correto é:

http://www.dicas-l.com.br/download/Linux_dicas_e_truques.pdf

Abraços.
MaRZ
26 Jan 2012, 07:30
E óbviamente as grandes empresas (a.k.a hoarders) sabem disto ou alguém se esquece que uma das grandes fontes de sucesso da m$ - e outras - foi justamente "fingir" que se preocupavam em proteger seus produtos com aqueles números "gozados" que sempre foram facilmente obtidos pela net. E vai me dizer que eles "não sabiam" que era fácil obtê-los? Por que nunca os protegeram de modo mais eficaz? Não sabem proteger seus produtos ou lançam estes "prejuízos" na conta do marketing? Paradoxal, mas acho que a xerox com a sua impressora que inpirou Stallman, foi também a primeira a lançar a "idéia" do "free as in beer" software. O Stallman é que "copiou" :-)
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