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Instalação Linux em Modo Kickstart

Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida

Data de Publicação: 22 de Setembro de 1999

1. Introdução

É possível se fazer a instalação do Linux de forma automatizada, onde o programa de instalação obtém a resposta para a maioria das perguntas a partir de um arquivo de configuração. Desta forma o administrador pode obter um ganho considerável de tempo na instalação e configuração de um grande número de estações de trabalho Linux.

Esta modalidade de instalação chama-se kickstart. O administrador de sistemas cria um arquivo de configuração onde são especificadas todas as opções de instalação como tipo de placa de rede, teclado, pacotes a serem instalados, número IP da estação e do gateway, endereço IP do servidor de nomes e várias outras alternativas.

Este documento discute um subconjunto das opções disponíveis de instalação através do modo kickstart. Para maiores informações consultar o guia de instalação do Red Hat Linux, apêndice H (http://www.dicas-l.com.br/linux/rhl-instguide.pdf) Outra fonte útil de referência é o documento Kickstart-HOWTO distribuído juntamente com sistemas Red Hat Linux (/usr/doc/HOWTO).

2. Quando usar?

A opção kickstart de instalação do Red Hat Linux e derivados é interessante quando o administrador de redes necessita configurar um grande número de máquinas que possuem uma configuração de hardware semelhante. Desta forma a maior parte da instalação transcorre sem a necessidade de intervenção humana e apenas os ajustes finais são feitos manualmente.

Como exemplo podemos citar a configuração de equipamentos em laboratórios de ensino, pré-instalação do Linux em máquinas recém-adquiridas antes da entrega ao usuário final e realização de upgrades de versão.

3. Arquivo de configuração

O arquivo onde são especificadas todas as opções para instalação do sistema Linux chama-se ks.cfg. Linhas iniciadas em # são tratadas como comentários. O arquivo abaixo foi utilizado para instalação do Conectiva Red Hat Linux em um micro IBM/PC 486. 66MHZ, 32 MB de memória:

  lang pt_BR
  network --bootproto static --ip 143.106.20.73 --netmask 255.255.255.192 --gateway 143.106.20.65
  cdrom
  device ethernet ne --opts "io=0x300, irq 5"
  keyboard br-abnt2
  zerombr yes
  clearpart --all
  part / --size 500 --grow
  part swap --size 64
  install
  mouse --kickstart generic3ps/2 --emulthree
  timezone --utc Brazil/East
  xconfig --server "SVGA" --monitor "lg studioworks 55i"
  rootpw --iscrypted a1veRaxg0oW/. 
  lilo --location mbr
  %packages
  @workstation
  %post
  # acrescentar comentário ao arquivo /etc/motd
  echo Sistema Instalado em modo Kickstart em \""{ }/bin/date\""{ } > /etc/motd
  # acrescentar diretiva search ao arquivo /etc/resolv.conf
  echo search unicamp.br ccuec.unicamp.br

Vamos agora analisar as opções selecionadas:

lang pt_BR

Esta opção seleciona o idioma de instalação, português do Brasil

network --bootproto static|dhcp|bootp --ip 143.106.20.73 --netmask 255.255.255.192 --gateway 143.106.20.65

Aqui temos as opções de configuração IP da máquina. O endereço IP é atribuído estaticamente, sem o uso de servidores DHCP. O endereço IP da máquina é 143.106.20.73, sua máscara de rede é 255.255.255.192 e o gateway da rede onde esta estação de trabalho se encontra é 143.106.20.65.

cdrom|nfs --server nome.do.servidor --dir /caminho/da/imagem/redhatlinux

A instalação será feita a partir de um cdrom

device ethernet ne --opts "io=0x300, irq 5"

A placa de rede é do tipo ne2000 ou compatível e está configurada para utilizar o endereço 0x300 e a interrupção de número 5. Esta informação pode ser obtida através do disquete de configuração normalmente distribuído com a placa de rede.

keyboard br-abnt2

Tipo de teclado. Esta opção, br-abnt2, é a utilizada pelos teclados nacionais. Normalmente apenas o Conectiva Red Hat Linux suporta esta opção.

zerombr yes|no

Indica se o MBR (Master Boot Record) deve ser totalmente apagado. Esta opção é a recomendada para novas instalações. Em máquinas onde existam partições válidas que se queira preservar utilizar ``zerombr no''.

clearpart --all|linux

Sinaliza se todas as partições existentes no equipamento devem ser apagadas.

part / --size 500 --grow

A diretiva part faz a alocação das partições de seu sistema Linux. Neste caso está sendo alocada a partição root com tamanho de 500MB. A diretiva --grow indica que, se ao final do processo de alocação de todas as partições ainda restar algum espaço livre, este espaço será acrescido ao tamanho especificado originalmente.

part swap --size 64

Esta diretiva aloca o espaço de swap

install|upgrade

Será feita uma nova instalação (ou um upgrade)

mouse --kickstart generic3ps/2 --emulthree

Especificação do mouse, tipo PS/2, com dois botões, com suporte à emulação de três botões.

timezone --utc Brazil/East

Região geográfica

xconfig --server "SVGA" --monitor "lg studioworks 55i"

Especificação do tipo de placa de vídeo e monitor

rootpw --iscrypted a1veRaxg0oW/.

A senha do usuário root pode ser incluída de forma encriptada, como acima, ou não. A senha, caso criptografada deve ser precedida da diretiva --iscrypted.

lilo --location mbr

O LILO (Linux Loader) será instalado no registro mestre de boot (MBR). Este é o default.

@workstation|@server

Neste seção especificamos os pacotes a serem instalados. Podemos fazer uma especificação mais genérica, como em nosso exemplo, ou especificar separadamente cada pacote que desejamos instalar. No Conectiva Linux versão 4.0 são os seguintes os valores possíveis, além dos já especificados acima:

  Base
  X Window System
  Mail/WWW/News Tools
  File Managers
  X multimedia support
  Console Multimedia
  Networked Workstation
  Dialup Workstation
  KDE

Na especificação no arquivo ks.cfg preceder os valores acima do caracter ``@''.

Incluir nesta seção os comandos que você deseja executar após o fim da instalação. Exemplo:

  # acrescentar comentário ao arquivo /etc/motd
  echo Sistema Instalado em modo Kickstart em \""{ }/bin/date\""{ } > /etc/motd
  # acrescentar diretiva search ao arquivo /etc/resolv.conf
  echo search unicamp.br ccuec.unicamp.br 

4. Como Instalar em modo Kickstart

4.1. Através do disquete de boot

Para utilizar o disquete de boot basta copiar o arquivo ks.cfg criado para o disquete de boot. No Linux isto pode ser feito através do comando mcopy visto que este disquete está no formato MS-DOS (FAT). A cópia pode também ser feita a partir de um sistema DOS.

Isto feito, inserir o disquete no drive a: de seu computador. Ao aparecer o prompt

boot: linux ks=floppy

A partir deste ponto, se o seu arquivo ks.cfg estiver especificado corretamente, toda a instalação transcorrerá automaticamente.

4.2. Através da Rede

A instalação via rede requer a configuração de um servidor DHCP ou Bootp a partir do qual a estação de trabalho obtém suas informações de rede e a localização do arquivo kickstart. De posse destas informações o cliente tentará montar via NFS o sistema de arquivos com as informações que precisa. Esta opção de instalação será abordada em maiores detalhes nas próximas versões deste documento.

5. Geração Automática do Arquivo ks.cfg

O pacote mkkickstart permite a criação automática do arquivo ks.cfg. Este programa obtém a configuração de seu sistema automaticamente e cria um arquivo ks.cfg apropriado. É recomendável que o arquivo ks.cfg gerado seja examinado para verificar se todos os parâmetros codificados estão adequados.

O pacote mkkickstart pode ser encontrado em

http://ftp.unicamp.br/pub/conectiva/conectiva/RPMS/mkkickstart-1.2-2cl.noarch.rpm



 

 

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