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Gerenciamento de setores defeituosos com o ReiserFS

Colaboração: Carlos E. Morimoto

Data de Publicação: 22 de Junho de 2005

"Como funciona o gerenciamento de setores defeituosos (bad blocks) no HD ao usar o sistema de arquivos ReiserFS? Existe algum utilitário que faça um exame de superfície e marque os setores defeituosos, como faz o scandisk?"

Você pode usar o comando "badblocks", ele vai fazer um exame de superfície e mostrar uma lista com os setores defeituosos. Para usar em conjunto com o ReiserFS, você precisa especificar o tamanho dos blocos (em bytes). Se você não usou nenhuma opção especial ao formatar a partição, os blocos terão 4096 bytes. O comando para verificar a partição /dev/hda1 por exemplo, fica:

  # badblocks -b 4096 /dev/hda1

(como root)

Isso demora alguns minutos. Se estiver tudo certo ele não vai retornar nada no final do teste.

Hoje em dia os HD's são capazes de marcar automaticamente os setores defeituosos, o próprio hardware faz isso, independentemente do sistema operacional.

Existe uma área reservada no início do disco chamada "defect map" (mapa de defeitos) com alguns milhares de setores que ficam reservados para isso. Sempre que o HD encontra um erro ao ler ou gravar num determinado setor, ele remapeia este setor defeituoso para um bom dentro do defect map, de modo que o HD continua aparecendo intacto para o sistema operacional.

Os setores só realmente começam a aparecer quando o HD já possui muitos setores defeituosos e o defect map já está cheio. Isso é um indício de um problema grave. O HD já deu o que tinha que dar e o melhor é troca-lo o mais rápido possível para não arriscar perder os dados.

Alguns sintomas de que o HD está desfrutando de seus últimos dias de vida são:

  • Muitos badblocks (causados por envelhecimento da mídia)

  • Desempenho muito abaixo do normal (isso indica problemas de leitura, o que faz com que a cabeça de leitura tenha que ler várias vezes o mesmo setor para finalmente conseguir acessar os dados)

  • Um barulho de click-click (o famoso click da morte, que indica problemas no sistema de movimentação da cabeça de leitura, um indício de que o HD está realmente nas últimas)

De qualquer forma, o ReiserFS é capaz de marcar via software setores defeituosos que for encontrando. Isso é feito automaticamente, assim como no NTFS do Windows XP. Só é preciso marcar setores defeituosos manualmente em sistemas de arquivos antigos, como o FAT32 e o EXT2.

Ou seja, para marcar setores defeituosos que por ventura existam, você só precisa copiar um monte de arquivos, até encher a partição. Para ver se existem setores defeituosos na partição, marcados via software, rode o comando:

  # debugreiserfs /dev/hda1

Caso exista algum erro no sistema de arquivos, causados por desligamentos incorretos por exemplo, você pode corrigir com o comando:

  # reiserfsck /dev/hda1

Este comando deve ser executado com a partição desmontada. O ideal é dar boot pelo CD do Kurumin e rodar a partir dele.

Em casos mais extremos, caso você tenha um HD cheio de badblocks em mãos e queira usá-lo mesmo assim, num micro que não é usado para nada importante por exemplo, você pode fazer o seguinte:

Comece enchendo o HD de bits zero, isso vai forçar a controladora a escrever em todos os setores e marcar via hardware os setores defeituosos que conseguir. Isso pode ser feito usando o dd. Naturalmente isso vai apagar todos os dados. A forma ideal de fazer isso é dando boot através do CD do Kurumin:

  # dd if=/dev/zero of=/dev/hda

(onde o /dev/hda é o dispositivo do HD. Na dúvida, dê uma olhada no qtparted)

Reparticione o HD usando o cfdisk e formate as partições em ReiserFS, como em:

  # mkreiserfs /dev/hda1

Monte a partição e copie arquivos (qualquer coisa) para dentro dela até encher. Isso deve marcar via software os setores defeituosos que sobrarem. A partir daí você pode ir usando o HD até que ele pife definitivamente.


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