você está aqui: Home  → Arquivo de Mensagens

Carta aberta ao TRT/RJ sobre a troca de suíte de escritório

Colaboração: Jomar Silva

Data de Publicação: 27 de janeiro de 2011

Foi com perplexidade e tristeza que li hoje a notícia de que o TRT/RJ está trocando a suíte de escritório em software livre BrOffice pelo software proprietário MSOffice, alegando limitações, principalmente em relação ao intercâmbio de informações e arquivos com órgãos do Poder Judiciário e instituições públicas e ainda que O MS Office é um padrão mundial.

Não vou comentar aqui sobre a decisão de não utilizar um Software Livre, desrespeitando a atual política definida pelo Governo Federal de utilização prioritária de Software Livre, mas faço questão de registrar meu questionamento sobre a alegada "falta de compatibilidade" dos arquivos gerados pelo BrOffice.

Gostaria de iniciar esclarecendo aos responsáveis por tal decisão no TRT/RJ de que os documentos gerados pelo BrOffice são gerados no padrão ODF (OpenDocument Format), que além de ser um Padrão Aberto, é ainda uma Norma Internacional - ISO/IEC 26.300 (portanto um VERDADEIRO "Padrão Internacional") e uma Norma Brasileira, a NBR ISO/IEC 26.300:2008.

O ODF está sendo adotado cada vez mais por governos do mundo todo como o padrão de armazenamento de informações governamentais, principalmente por garantir a longevidade no armazenamento das informações e por não ser dependente de uma única Suíte de Escritório, sendo suportado atualmente por uma extensa lista de soluções em software incluindo softwares livres e proprietários.

O ODF é desenvolvido de forma totalmente aberta e transparente por um consórcio internacional (OASIS ODF TC) e seu desenvolvimento conta atualmente com inúmeras empresas como Adobe, Boeing , Google, IBM, Intel, Microsoft, Nokia, Novell e Oracle, entre outras, além de especialistas do mundo todo, como este brasileiro que lhes escreve.

A adoção crescente do ODF no Brasil pode ser vista pela lista de signatários do Protocolo Brasília, um documento publicado em Diário Oficial onde empresas e organizações se comprometem publicamente com a adoção e promoção do padrão ODF. A lista de signatários do Protocolo Brasília, que atualmente envolve mais de 2 milhões de usuários no Brasil, é composta por empresas e órgãos públicos como SERPRO, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Ministério das Relações Exteriores, Marinha, Exército, Aeronáutica, DATAPREV, Correios, INPE, INPI, Itaipu Binacional, ITI, SLTI, CELEPAR, Petrobrás e Cobra Tecnologia, entre outras.

O Governo do Estado do Paraná sancionou em 2007 uma lei que trata da utilização de ODF como formato de armazenamento de informações de documentos governamentais e um projeto de lei semelhante está em análise atualmente no Congresso Nacional (PL-3070/2008).

A arquitetura e-Ping (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico), documento que define um conjunto mínimo de premissas, políticas e especificações técnicas que regulamentam a utilização da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) no governo federal, estabelecendo as condições de interação com os demais Poderes e esferas de governo e com a sociedade em geral, em sua versão mais recente, descreve o Padrão ODF como ADOTADO, enquanto sequer cita os formatos proprietários .DOC, .PPT e .XLS e seus sucessores .DOCX, .PPTX e .XLSX, indicando de forma clara à todo o governo e sociedade que a recomendação oficial do Governo Federal é a utilização do ODF. Os formatos .DOC, .XLS e .PPT já foram citados em versões anteriores da e-Ping e sua utilização foi substituída pelo padrão ODF.

Gostaria ainda de sugerir aos membros do TRT/RJ que entrem em contato com o TRT da 13° região, pois eles utilizam com sucesso o BrOffice e o padrão ODF e até onde sei é o único TRT onde 100% dos processos são eletrônicos no Brasil. Lembro-lhes ainda que nova versão do padrão ODF (ODF 1.2) tem suporte a assinaturas digitais compatível com a ICP-Brasil, funcionalidade extremamente importante para o Judiciário Brasileiro.

Tendo em vista o exposto, gostaria de solicitar aos responsáveis no TRT/RJ a revisão de tal decisão, pois considero que a decisão é retrógrada e deixa, mesmo que de forma involuntária, a mensagem de que as Normas Brasileiras não devem ser respeitadas por todos, o que torna desnecessário o intenso trabalho de normalização que nós brasileiros realizamos no Brasil e no cenário Internacional.

Coloco-me desde já á disposição do TRT/RJ para esclarecer os benefícios da adoção do Padrão ODF e quaisquer outras dúvidas que tiverem sobre este assunto.

Jomar Silva

Diretor Executivo - ODF Alliance América Latina

Fonte: Blog Trezentos



Veja a relação completa dos artigos de Jomar Silva

 

 

Opinião dos Leitores

Marco
06 Mar 2011, 19:57
Proponho uma denúncia coletiva à CGU: http://www.cgu.gov.br/Denuncias/FormularioDenuncia.asp
Gervazio Degan
02 Fev 2011, 09:08
O que os orgão públicos sempre fizeram, fazem e continuarão fazendo, é "Cercar as formigas para que passem os elefantes". Enquanto nós trabalhadores de "Carteira Assinada", Micro, Pequeno e uma grande parcela dos Médios empresários, urbanos ou rurais, continuarmos apenas reclamando e trabalhando seis meses por ano para sustentar a vagabundagem, traduzida em recessos, férias, aposentadorias como pena máxima para juizinhos bandidos.
SERGIO SANTOS
31 Jan 2011, 10:41
Nosso dinheiro escorre pelo ralo nos cargos de confiança, nas politicagens , na preguiça , na burocracia e no jeitinho brasileiro. Isso sim . Nao é com licença de office que o pais vai ficar mais pobre. Acordem , Tem tanta coisa que passa por de baixo do pano !!! o governo gasta mais com artigo de escritorio superfaturado do que com licença de software !!!!
Halley Pacheco de Oliveira
29 Jan 2011, 08:01
Existem muitas falácias quando se fala em serviço público, e a maior delas é que tudo o que é feito no serviço público é focado na corrupção. Isso não é verdade. O software proprietário tem um custo, mas o funcionário, público ou não, também tem um custo mensal, seu salário. Se uma ferramenta diminui a produtividade do funcionário, o custo do uso da ferramenta pode ficar muito maior do que o custo da ferramenta, então não vale a pena usar a ferramenta só porque ela é de graça. E pelo que eu sei, o OpenOffice é escrito em Java, uma linguagem super-proprietária da Oracle, que comprou a Sun e tudo o que ela tinha, incluindo o OpenOffice. Entre ficar na mão da Oracle ou da Microsoft, sinceramente, de minha parte, prefiro a Microsoft.
Gustavo Duque
28 Jan 2011, 22:37
Como se vê, a decisão administrativa do TRT da Primeira Região (RJ) fere a norma do CSJT.
Gustavo Duque
28 Jan 2011, 22:27
ATO CONJUNTO GP.SE Nº 10, DE 29 DE ABRIL DE 2008 - CSJT



Estabelece diretriz sobre a política de adoção e migração para o uso de programas com código aberto no âmbito da Justiça do Trabalho.



O PRESIDENTE DO CONSELHO SUPERIOR DA JUSTIÇA DO TRABALHO e do TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, no uso de suas atribuições legais e regimentais,

Considerando que compete ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho "expedir normas gerais de procedimento relacionadas com os sistemas de informática", conforme dispõe o art. 5°, inciso II, do seu Regimento Interno;

Considerando que compete ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho supervisionar o planejamento e orçamento das atividades comuns sob coordenação do órgão central, conforme dispõe o art. 5º, inciso III, do seu Regimento Interno;

Considerando o disposto no art. 14 da Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de 2006;

Considerando a política governamental de adoção de programas com código aberto no âmbito da Administração Pública;

Considerando a conveniência de se obter maior economia e aproveitamento dos recursos financeiros, bem como a uniformização de critério para a política de utilização e migração para o uso de programas com código aberto, resolve:

Art. 1º Os órgãos da Justiça do Trabalho utilizarão, preferencialmente, programas de computador com código aberto, isentos de reservas de direitos proprietários quanto às condições de seu uso, modificação, customização, cessão, liberdade de instalação, plena utilização, acesso ao código fonte, distribuição, padronização e, fundamentalmente, sem ônus de aquisição de licenças.

Parágrafo único. A migração do uso de programas proprietários para outros similares de código aberto deverá basear-se em estudos técnicos preliminares que definam um cronograma criterioso e que assegurem a qualidade e eficiência dos correspondentes serviços.

Art. 2º A aquisição de programas proprietários, com ou sem instalação conjunta à aquisição de máquinas, deverá observar o seguinte:

I - análise da destinação do uso do equipamento e do programa, de modo a se considerar a possibilidade técnica de plena utilização de solução não-proprietária;

II - parecer técnico circunstanciado atestando a inexistência de programas com código aberto que possam atender, restritivamente, as exatas funcionalidades necessárias para as áreas usuárias;

III - parecer técnico circunstanciado atestando a inexistência de programas em uso noutros Tribunais que possam, sem ônus ou com ônus menor, serem aproveitados mediante convênio de cooperação técnica;

IV - preferência para produtos que operem em ambiente multiplataforma para uso, sem restrições, sob sistemas operacionais de código livre.

Parágrafo único. Preferências de ordem estéticas e subjetivas ou a existência de funcionalidades maiores, porém desnecessárias ao serviço público, não deverão ser consideradas na avaliação de compra de programas proprietários.

Art. 3º O Tribunal Superior do Trabalho e os Tribunais Regionais do Trabalho deverão, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, elaborar estudo de viabilidade técnica para migração das suas atuais soluções proprietárias para alternativas com código aberto, respeitando-se o seguinte:

I - planejamento, a longo prazo, para migração de soluções que não permitam, imediatamente e sem prejuízo para os serviços, a adoção de alternativas sem ônus com a renovação de licenças ou aquisição de novas licenças;

II - avaliação de uso de estações de trabalho em plataforma de código aberto que garantam eficiência para os serviços, e que não dependam da integração com outros aplicativos proprietários.

Art. 4º Fica definido como padrão de uso nos órgãos da Justiça do Trabalho a suíte de escritório "BrOffice", respeitando-se o disposto no art. 3º, I e II, deste Ato.

Art. 5º Este Ato entrará em vigor na data da sua publicação.

Publique-se no DJ e no BI.



Ministro RIDER NOGUEIRA DE BRITO

Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e do

Tribunal Superior do Trabalho

DJU 08.05.2008 - p. 130
Renato
28 Jan 2011, 11:07
O problema é o formato do documento ou o Software para editar estes documentos?
Lembrando que o Open Office trabalha com arquivos do MsOffice.
Lembrando também que o MsOffice 2010 trabalha com arquivos ODF.
Natanael Honorato
28 Jan 2011, 10:43
Como diria o Boris "isso é uma VERGONHA", estão fazendo festa com o dinheiro público, alguém deve estar levando um bom dinheiro nesse negócio. Tem "analista" que sabe usar os produtos da micro$$oft, vai que esse é o caso lá no TRT/RJ.
Luciano Francsico
28 Jan 2011, 10:05
Confesso que tenho dificuldades de trabalhar com o OpenOffice, e prefiro o da Microsoft. Mas se Tratando de dinheiro público temos que ver o real custo-benefício, afinal quem pagamos somos nós. Defendo o uso do OpenOffice no sentido de que só com o seu uso efetivo é que teremos as melhorias necessárias para que ele esteja à altura do MSO.

Enquanto isso os servidores do Judiciário estão a 4 anos sem reajuste salárial e, apesar da fama, tem sido uma das piores carreiras federais da atualidade.


Lamentavel !
Luiz Claudio Souza
28 Jan 2011, 09:04
Sou Contador e blogueiro militante, tenho 58 anos, sou um feliz e evangelizador usuário do Linux Ubuntu 10.04LTS há quase um ano e nunca mais na minha vida volto a usar Windows. E repito aqui o que disse o Carlos Wagner:
28 Jan 2011, 03:37
"Compatibilidade para textos simples (memorandos e ofícios), algumas tabelas e figuras, isso para falar apenas em processamento de textos.

Deveria ser crime gastar milhares ou milhões de reais que deveriam ser usados em projetos úteis para a sociedade apenas porque os funcionários não querem usar um programa diferente daquele que tem pirateado em casa e que o consultor aspone está acostumado a usar (negrito, sublinhado, centralizado e justificado)."
Carlos Wagner
28 Jan 2011, 03:37
Compatibilidade para textos simples (memorandos e ofícios), algumas tabelas e figuras, isso para falar apenas em processamento de textos.

Deveria ser crime gastar milhares ou milhões de reais que deveriam ser usados em projetos úteis para a sociedade apenas porque os funcionários não querem usar um programa diferente daquele que tem pirateado em casa e que o consultor aspone está acostumado a usar (negrito, sublinhado, centralizado e justificado).
Joaquim Ferraz
27 Jan 2011, 13:03
É uma vergonha com o dinheiro público, é inaceitável tal "alegação de incompatibilidade".

Por que não gastam o dinheiro de licenças de MSOFFICE com sistemas que melhore o atendimento ao cidadão, que agilize o tramite dos processos.

Atenciosamente,

Joaquim Ferraz
http://joaquimferraz.blogspot.com



Osmar Klein
27 Jan 2011, 12:57
Opinião pessoal minha:

"falta de compatibilidade dos arquivos gerados pelo BrOffice" é uma afirmação um tanto absurda. Vejamos uma breve pesquisa no Google com termos para abrir arquivos openoffice no microsoft office e vice versa.

Apenas alguns cliques são suficientes para resolver a questão:
http://www.vivaolinux.com.br/dica/Como-abrir-arquivos-.docx-.xlsx-.pptx-no-OpenOffice-ou-BROffice
e
http://office.microsoft.com/pt-br/word-help/usar-o-word-para-abrir-um-salvar-um-documento-no-formato-de-texto-opendocument-odt-HA010281619.aspx

Realmente que o TRF/RJ deve rever seus procedimentos.
Marz
27 Jan 2011, 12:54
Sou usuário e evangelizador do Software Aberto e Livre, principalmente do GNU/Linux, que uso desde 1995 e não vou parar de usar nunca.

Fiquei chateado com o processo (ou retrocesso) deste decisão e, sinceramente, gostaria que fosse diferente.

No escritório em que trabalho e na minha vida particular, incluindo a da minha família, aboli o m$Office desde 2000, quando passei a utilizar exclusivamente o pacote OpenOffice e posteriormente o BrOffice.

Entretanto, no ano passado, as coisas começaram a ficar um tanto estranhas. O nome da Oracle passou a aparecer mais, incluindo os Javas, e surgiu o tal LibreOffice que confesso, ainda não entendi direito, o que me parece mais uma dissidência política do que uma evolução.

Resumindo, neste período eu presenciei a criação do StarOffice (este eu comprei junto com um RedHat) que era de uma empresa alemã, que depois foi comprada pela Sun, que depois passou a chamar OpenOffice, segmentou em BrOffice e agora tem o tal LibreOffice.

Eu tive que me adaptar a todas estas viradas e consegui pois tenho esta habilidade e disponibilidade.

Mas, creiam-me, as tentativas de convencer os outros sempre acabam no seguinte ponto nevrálgico: compatibilidade com "a maioria".

Os *ffice (livres) sempre tiveram problemas gritantes com respeito a isto e conseguiram certa estabilidade com a suite 2000 da M$, só que com o lançamento da suite 2010, estas arestas começaram a surgir novamente.

Tente formatar um doc .rtf não muito complexo (uma tabela simples) editado no linux (ubunto 10.10, que é o meu) e ler de volta no m$office (2002). Tentei isto semana passada com o meu CV. Gastei 10 minutos para criar o cv no Vim e 3 dias para chegar a um resultado aceitável. Lógico que não foram 3 dias corridos mas sim entre testes e seções, envios e reenvios. Comecei na sexta a tarde e entreguei na segunda de manhã.

Tente ler um .docx do cliente que quer o contrato dele urgente e bem formatado. Depois de muitas desculpas vc tem que criar um novo original, reformatar e mandar um pdf.

Tente criar relatório num banco de dados (simples) usando o ODBC do linux junto com database do *ffice (livre) e faça o mesmo no m$access. Veja a diferença de tempo ao se obter o resultado, aliás, não consegui obter o meu resultado com o nosso db firebird, apesar de ter tido muito sucesso na conexão com o ODBC. As ferramentas de relatório do *ffice (livre) database são sofríveis.

Abra um .ppt mais elaborado, destes que se recebe com mensagens inúteis e musiquinhas. Veja se não cortam as margens no fim da página. Apesar da maioria ser inútil, algumas são muito importantes para pessoas menos dadas a tecnologia, como o meu velho pai de 80 anos.

Tente abrir uma planilha distribuída pela CEF (Caixa Economica) contendo formulários para solicitação de crédito.
Com o seu cliente e o gerente na sua cola querendo os documentos preenchidos para obter/emprestar o dinheiro. Quase apanhei quando comecei a falar em compatibilidade de docs entre m$ e *ffice (livre).

Cheguei a pensar em registrar uma queixa no MP sobre o fato deles usarem o formato excel para distribuirem formulários importantes para solicitação de crédito. Aleguei que eles deveriam distribuir o excel junto, pois a planilha abria mal e as macros não funcionavam e eu não tinha dinheiro para comprar uma licença do produtos. Imprimi as folhas e, creiam-me, datilografei os dados sobre as grades. A imagem do nosso escritório ficou comprometida em função desta ineficiência.

Agora multiplique os milhões de brasileiros que usam uma suite m$office (original do camelô) e precisam abrir docs o tempo todo enviando por outros milhões de clientes. Em resumo pense em todo o dinheiro circulando em função do tempo que se gasta, para termos o trabalho e a paciência de converter e "ajeitar" tudo.

Ok, num mundo perfeito, onde todos usassem o *ffice (livre), isto não ocorreria.

Agora coloque isto dentro de nossos orgãos públicos que tem que associar toda a LERDEZA reinante e pré-existente, a mais este atraso em conversões e entenda a ACERTADA decisão do TCU em eliminar estes atrasos ao que somam quantias mais vultosas do que o mero custo de licenças m$, que tem seu preço muito reduzido devido ao grande volume adquirido.

Aliás já discuti isto com um amigo, chefe de depto de uma universidade federal, onde eu perguntei pq eles não usavam o Postgres em vez de usarem o DB2 e Sqlserver. Ele me disse que o custo das licenças são ridiculamente pequenos para estas entidades.

Pense então no PROBLEMA REAL: o foco não está no simples pacote de software ou mesmo no custo das licenças mas na escalada do preço e tempo dispendido com as adaptações e readaptações. Tente enxergar isto numa matriz de problemas e multiplicar por outra matriz de usuários e outra de burocracia para se obter tempo e treinamento e mais outra de "malas pretas" com vantagens oferecidas pelas grandes,e regalias dadas como brindes aos gestores, prêmios, enfim a matriz de corrupção existente, mais a matriz de usuários TOTALMENTE despreparados... O problema é astromômico e, definitivamente, não é a escolha de uma suíte office que corrigirá isto.

Temos que MUDAR, mas não IMPOR o uso de Open/Free Software, pois o problema é de ordem social - vivemos sob custódia de mega companhias e isto INCLUI a Oracle que MANDA, agora neste processo *ffice (livre). Mudar isto leva, literalmente, SÉCULOS.

No meu caso, como conto com DÉCADAS para solucionar meus problemas, INFELIZMENTE, estou retornando para o meu pacote m$Office que comprei em 2000 para poder retomar o foco real que eu já perdi há muito tempo, junto com dinheiro e energia pessoal requeridas no processo de adaptação.

Temo que com esta nova abordagem Open Documents (lindo ideal) a coisa tende a se agravar ainda mais, pois se o padrão é aberto, a estratégia das grandes é confundir o padrão, pois todos põe as mãos, incluindo as mesmas grandes, criando áreas nebulosas de compatibilidade. Aberto em síntese, mas fechado na prática, diante a condição/confusão inerente do fato de ser aberto.

É ineficiente e caro o processo de adaptações e migrações. Eu não tenho mais energia para me adaptar e vou abandonar este confuso front, pois preciso produzir.

Resistance was futile, I was assimilated.

Parabéns ao TCU, pois economizou nosso tempo de dinheiro enquanto cidadão-empresa. Só lamento que para isto, deixou de exercer, em melhor estilo, a cidadania.

Negócios, negócios. Cidadanias... À parte.
SÍLVIA CRISTINA ESTEVES SILVA
27 Jan 2011, 12:48
PARABÉNS!!!!

SE TODOS NÓS DEFENDESSE O QUE É PÚBLICO NESSA PROPORÇÃO, COM CERTEZA O MUNDO IA SER MUITO MARAVILHOSO.

FOI UM TAPA DE PELICA MUITO BEM DADO. PARABÉNS MAIS UMA VEZ SR.
JOMAR SILVA

Diretor Executivo - ODF Alliance América Latina
Marco
27 Jan 2011, 12:16
Padrão!!!?

padrões (tão somente) de direito existem pra inglês ver!
Os que vale são os padrões de fato!!!
Os usuários de TI vão usar o que escolherem, o quer for da sua preferência, o que for mais eficiente, o que for tendência (mundial, não local). ODF entre outros serão usados, mas só ser for por força de Lei, lamentável!!! E ainda mais, ficarão limitados aos órgãos públicos, que não podem (assim dizem) gastar com software! absurdo!!! quem vai produzir software de graça pra governo! de alguma modo o governo terá que gastar sim, e muito! caso contrário ficará com as tecnologias de software do passado!
Snoopy
27 Jan 2011, 12:09
Kra, aqui na minha empresa também já tentaram instalar o BrOffice, mas sem sucesso.

Esse negócio de compatibilidade do ODT é só na teoria.
Praticamente 80% do que recebemos de cliente não abri direito no Broffice.
E guando altera, salva e re-envia para o cliente? Que dor de cabeça...
Então infelizmente voltamos p/ o Office.

Não é da minha área, mas acho q essa galera do desenvolvimento do BrOffice devia deixar essa rinchar de lado, e investir na compatibilização do Open Xml do que no ODT, seria bem mais fácil para todos.
Luiz Gomes
27 Jan 2011, 11:43
Todo o texto se baseia no padrão ODF, que o OpenOffice adere e que é o padrão nacional etc.

É importante salientar que o ODT não é exclusivo do OpenOffice. ODT é uma especificação, que o MS Office TAMBÉM implementa, inclusive foi a Microsoft que desenvolveu o formato OpenDocument.
Vanderlei
27 Jan 2011, 09:14
Esse tipo de decisão parece ser coisa de quem não tolera formas de cooperação na busca de soluções. O que é desastrozo, principalmente por se tratar de órgão público. O TRT do Rio er muitos outros órgãos públicos precisam rever esse tipo de decisão.
baza
27 Jan 2011, 08:51
Infelizmente uma boa parte das decisões técnicas aqui no Brasil carecem de fundamentos sólidos e análises objetivas. São tomadas sem qualquer consistência e os custos são totalmente desprezados porque o Estado nunca teve a preocupação de eficiência.
Antonio Bosco Gerbino
27 Jan 2011, 08:40
- O artigo do colega é um excelente comentário sobre a utilização do software livre no governo. Com certeza a decisão do TRJ deveria ser revista.

- Na minha opinião existe um paradigma a ser quebrado com relação a utilizar o BROffice.

- Na visão humilde de um simples usuário a raiz do problema genericamente falando está com os usuários domésticos que na sua maioria segundo levantamentos utiliza indevidamente os softwares proprietários, infringindo a lei de patentes.

- Está utilização faz com que temos predominância de apenas um produto, sem querer tirar o mérito deste entretanto vale comentar que temos outras opções.

- Pensando em legalidação dos softwares com propriedade, certamente poderiamos conviver com os softwares publicos entre eles BROffice tendo entre eles uma concorrência mais leal onde todos ganhariam!
Junior
27 Jan 2011, 07:59
Isso se chama CORRUPÇÃO, é um jeito deles desviarem verbas com contratos de alto valor, o poder publico esta cheio disso... fico imensamente envergonhado... com essas atitudes o Software Livre não deixa a desejar em nada e muito menos na sua integração....
Guedes
27 Jan 2011, 07:44
O que vem acontecendo nos órgãos públicos tem um nome bem antigo que é CORRUPÇÃO. Há gente sendo 'convencida' através de propinas para a utilização dos produtos da MS.
O pior cego é aquele que não quer ver e, onde está o TCU?
O povo brasileiro é corrupto.
Diogo
27 Jan 2011, 07:30
Até imagino o que aconteceu. Trabalho em uma entidade do governo federal e já escutei procurador dizendo que se for instalado o BrOffice (tirarem o MS Office) no PC que usa para de trabalhar. Geralmente sabem usar um ou duas funçõezinhas do MS Office e acham aquilo o máximo, puro hábito e preguiça de aprender. Também conheço algumas entidades que instalam, por exemplo, MS Office 97 (licenças que possuem) para os que se recusam usar o BrOffice. A gente do judiciário é quase toda gente soberba. Então, uma cara desses que manda, sem conhecimento técnico ou imoral em relação ao dinheiro público, gasta dinheiro _público_ (_nosso dinheiro_) assim, sem pestanejar, sem ao menos fazer um esforcinho para economizar, afinal, quantas licenças, quanto de dinheiro?

Outra coisa, os sistemas utilizados no Governo Federal, dentro das diversas entidades ou órgãos, são via naverdador, interface web.
Fred Lucena
27 Jan 2011, 06:42
Gostaria de lembrar que a utilizacao de software livre e uma orientacao, nao uma obrigatoriedade.
Fa
27 Jan 2011, 05:50

Oi Jomar

Gostaria de levantar uns pontos que creio serem importantes:


1. Acho que falta de decisão política de usar SL.

E que o problema é que não existe apoio no governo para que isso ocorra. Apoio real, sério e consequente.

Os chefes dizem que apoiam, mas não usam SL e nem tentam resolver possíveis problemas que apareçam.

Na maioria das vezes é só conversa. Muita fachada.

E há alguém, trabalhando muito, seriamente empenhado em implantar. Mas não é um chefe.


________

2. Muita gente que usa o BrOffice salva documentos em formatos proprietários.

Quando usamos algo fazemos propaganda dele. Estamos dizendo: "Isso é bom. Eu gosto e uso."

Juro que não sei direito em que isso adianta. Temos que garantir a interoperabilidade na troca de documentos.

O fato de utilizarmos outros formatos só aumenta os conflitos. E mantém e maximiza problemas.

Evidentemente, ainda há e sempre haverá, problemas de compatibilidade pois empresas de software proprietário, como a MS, trabalharão para que sempre existam.

Entretanto, se todos usassem os mesmos formatos, em padrão aberto, isso seria minimizado.

Se fosse assim, quando arquivos não fossem abertos corretamente, os problemas seriam identificados precisamente, os desenvolvedores trabalhariam e, tenho certeza, soluções logo seriam encontradas.

Do jeito que está, com o uso de múltiplos formatos, fica uma solução manca, em que volta e meia é necessário usar outros programas.

Assim, acredito que deve também existir uma maior pressão para que todos os órgãos usem e troquem arquivos em formatos livres, como os ODF.

Ou seja, deve existir uma decisão firme de governo a favor de formatos abertos, o que vai além da economia em dinheiro com licenças.

E as pessoas tem que ser ensinadas que usar SL não é só uma questão de economia, mas também de Ética.

(Se quiser mais detalhes sobre padrões abertos:
http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/oo-odf1.htm )


__________

3. Quatro mil licenças remontam uma boa grana, né?

Mas não é o pior.

As pessoas vão continuar usando outros programas e formatos, sem refletir que podem não estar tendo problemas, só porque a maioria os usa, naqueles formatos, e não porque sejam melhores.

E o dinheiro público, de todos nós, será usado para apagar também as próximas licenças...

__________

4. Uma outra coisa a considerar é o treinamento, recomendável em casos de produtividade baixa.

APOSTO que, para usar bem um software, vão precisar de treinamento, seja qual for o sistema e versão que utilizem.

E tenho certeza que a maioria irá dizer que não precisa de treinamento. Que sabe usar bem o MSOffice.

Mas isso é uma grande mentira.

A maioria não usa bem.

Basta perguntar quem conhece e usa Folhas de estilo.

Note, estou falando do primeiro campo da barra de formatação, na posição padrão, e não de um recurso bem escondido no Menu.

Quem conhece e usa?

Tenho certeza que muito poucos. No entando, a maioria acredita saber usar BEM.

Acho que isso demonstra, cabalmente, que essa maioria não sabe de que fala.

E o que existe, realmente, é a maior preguiça em dar uma micro olhadinha e ver como fazer as mesmas coisas em outros softwares. Estudar um ouquinho. Se esforçar.

A maioria é preguiçosa. Não quer dedicar nenhum tempo a se formar. Estudar.

(Se quiser mais detalhes sobre Folhas de estilo:
http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/wri-est.htm )


__________

5. Se os "analistas" do STI não querem ter trabalho e se ficam dando suporte, a toda hora, para o pessoal que tem dificuldades, eu não sei.

Mas tenho certeza que dá trabalho, sim.

Vencer o costume, a falta de boa vontade, a acomodação, é muito difícil.

O ensinando precisa querer e reconhecer que precisa aprender.

A pessoa que ensina também.

Aposto, por exemplo, que muitos desse "analistas" não sabem usar folhas de estilo (de novo).

__________

6. Quanto a corretores, temos as extensões VERO e CoGRoo que estão cada vez melhores.

E temos o dicionário de Sinônimos para ajudar a escrever melhor, também.

Será que os "analistas" do STI do sabem instalar e usar extensões? E ensinam a usar?

(Se quiser mais detalhes sobre
extensões: http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/oo-ext.htm
VERO: http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/oo-ext2.htm#vero
CoCRoo: http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/oo-ext2.htm#cogroo
DicSin: http://www.cultura.ufpa.br/dicas/open/oo-ext2.htm#dicsin )


Portanto, reitero o seu pedido. Também gostaria de solicitar aos responsáveis no TRT/RJ a revisão de tal decisão.

Fátima Conti - fconti@gmail.com - @faconti

(Comentário também colocado em http://www.trezentos.blog.br/?p=5484 )
*Nome:
Email:
Me notifique sobre novos comentários nessa página
Oculte meu email
*Texto:
 
  Para publicar seu comentário, digite o código contido na imagem acima
 


Powered by Scriptsmill Comments Script